
Uma sensação de peso lá embaixo no fim do dia. A impressão de que existe uma "bola" na entrada da vagina, que às vezes some ao deitar e volta depois de horas em pé. Muitas mulheres convivem com isso por anos, em silêncio, achando que é coisa da idade, consequência do parto ou que "é assim mesmo".
Esse desconforto tem nome: prolapso genital, a popular bexiga caída. É comum, tem explicação e tem tratamento. Em um de seus vídeos, a Dra. Marina Gressler lembra que metade das mulheres vai desenvolver algum grau de prolapso ao longo da vida, e que o silêncio em torno do tema costuma ser um problema maior do que o próprio prolapso.
Este texto explica, sem termos difíceis, o que acontece no corpo, por que acontece, quais sinais merecem atenção e quais são os caminhos de tratamento, dos que não envolvem cirurgia à reconstrução pélvica.
O que é o prolapso genital
Dentro da pelve, a bexiga, o útero e o reto ficam apoiados sobre o assoalho pélvico, um conjunto de músculos e ligamentos que funciona como uma rede de sustentação. A parede da vagina faz parte desse apoio.
Quando essa sustentação perde força, um ou mais desses órgãos desce e passa a se projetar em direção à vagina. É isso que se chama de prolapso genital. Os nomes técnicos mudam conforme o ponto que cedeu:
- Cistocele: é a bexiga que desce. É o tipo mais conhecido como "bexiga caída".
- Prolapso uterino: é o útero que desce em direção à vagina.
- Retocele: é o reto que empurra a parede de trás da vagina.
Na prática, mais de um desses pontos pode estar envolvido na mesma mulher. Por isso a avaliação olha o assoalho pélvico como um todo, e não só o ponto que mais incomoda.
Por que acontece
O prolapso não é culpa de ninguém. Ele aparece quando a rede de sustentação vai sendo exigida ao longo da vida e perde parte da firmeza. Alguns fatores contribuem para isso:
- gestações e partos, principalmente quando foram vários;
- a queda dos hormônios na menopausa, que deixa os tecidos menos firmes;
- o envelhecimento natural dos músculos e ligamentos;
- esforço físico repetido, como carregar peso com frequência;
- intestino preso e tosse crônica, que aumentam a pressão sobre o assoalho pélvico por muito tempo.
Ter um ou mais desses fatores não significa que o prolapso vai aparecer. Significa apenas que vale prestar atenção aos sinais.
Os sinais mais comuns
O sinal mais típico é a sensação de peso ou de "bola" na vagina, que costuma piorar no fim do dia ou depois de muito tempo em pé. Outros sinais que podem aparecer:
- a sensação de que "tem algo fora do lugar", ou um volume que se percebe na entrada da vagina;
- dificuldade para esvaziar a bexiga por completo, ou a necessidade de mudar de posição para urinar;
- escape de urina;
- desconforto na relação sexual ou insegurança na intimidade.
Nem todo sinal aparece em todas as mulheres, e a intensidade varia muito. O importante é saber que esses sintomas não precisam ser aceitos como parte da rotina.
Como é feito o diagnóstico
A avaliação começa por uma conversa sobre o que a mulher sente, desde quando e quanto isso atrapalha o dia a dia, seguida de um exame físico dedicado. No exame, a médica identifica quais pontos cederam e em que grau.
O prolapso é classificado em graus, do mais leve, em que a descida é pequena e às vezes nem causa sintomas, ao mais avançado, em que o órgão chega a ultrapassar a entrada da vagina. O grau ajuda a definir o tratamento, mas não decide sozinho: o impacto na vida de cada mulher pesa tanto quanto ele.
Quando há queixa de dificuldade para urinar ou de escape de urina, o estudo urodinâmico pode ajudar. É um exame que mede as pressões e o fluxo da bexiga e da uretra, feito no próprio consultório, e mostra como a bexiga está funcionando antes de definir a conduta.
Os caminhos de tratamento
O tratamento é sempre individual. Ele depende do grau do prolapso, de quais órgãos estão envolvidos, dos sintomas e dos planos de cada mulher. Os caminhos não competem entre si: em muitos casos, eles se somam.
Fisioterapia do assoalho pélvico
Nos prolapsos iniciais, a fisioterapia ajuda a fortalecer a musculatura que sustenta os órgãos e pode aliviar o peso e o desconforto. Os exercícios são orientados por fisioterapeuta e feitos nas sessões e em casa, e o efeito depende de mantê-los ao longo do tempo.
Pessário
O pessário é uma peça de silicone colocada dentro da vagina para dar apoio aos órgãos. É uma opção em casos selecionados, por exemplo para mulheres que preferem não operar ou que não podem fazer cirurgia naquele momento, e pede acompanhamento regular.
Reconstrução pélvica
Quando o prolapso é mais avançado, ou atrapalha a rotina mesmo com as outras medidas, a cirurgia de reconstrução pélvica entra na conversa. O objetivo é devolver a sustentação e reposicionar os órgãos.
Existem diferentes técnicas, e a escolha depende de cada caso:
- Cirurgia por via vaginal: a correção é feita pela própria vagina, sem cortes na barriga, com o próprio tecido da paciente ou com o apoio de uma tela, conforme a avaliação.
- Sacrocolpopexia: usada em alguns prolapsos avançados, reposiciona o topo da vagina e o fixa em um ponto firme da pelve, com o apoio de uma tela.
Uma das dúvidas mais frequentes é se toda cirurgia de prolapso precisa de tela. A resposta é: não necessariamente. O uso da tela, ou a reconstrução só com o próprio tecido, depende do grau do prolapso e da avaliação individual. Como toda cirurgia, a reconstrução pélvica tem riscos, que são avaliados e conversados com cada paciente antes da indicação.
Quando procurar a urologista
Vale buscar avaliação especializada se você:
- sente peso, pressão ou uma "bola" na vagina, mesmo que só no fim do dia;
- percebe um volume na entrada da vagina;
- tem dificuldade para esvaziar a bexiga ou precisa mudar de posição para urinar;
- perde urina, ou sente que a intimidade mudou por causa do desconforto.
Qualquer dificuldade em esvaziar ou controlar o xixi merece atenção especializada. Não é preciso esperar o desconforto atrapalhar a rotina para procurar ajuda.
Perguntas frequentes
Bexiga caída é a mesma coisa que prolapso genital? "Bexiga caída" é como muitas mulheres chamam o prolapso genital. Tecnicamente, a bexiga caída é a cistocele, um dos tipos de prolapso. O útero e o reto também podem descer, e a avaliação mostra quais pontos estão envolvidos.
Prolapso é coisa da idade e não tem jeito? Não. O prolapso é mais comum com o passar dos anos, mas tem tratamento em qualquer fase, dos exercícios à cirurgia. Conviver com o desconforto não é a única opção.
Todo prolapso precisa de cirurgia? Não. Prolapsos iniciais podem ser acompanhados ou tratados com fisioterapia e, em casos selecionados, com pessário. A cirurgia é indicada quando o prolapso é mais avançado ou quando os sintomas atrapalham a vida mesmo com as outras medidas.
Toda cirurgia de prolapso usa tela? Não necessariamente. A tela, ou a reconstrução só com o próprio tecido, depende do grau do prolapso e da avaliação de cada caso.
O prolapso pode atrapalhar a vida sexual? Pode trazer desconforto ou insegurança na intimidade. Esse é um ponto importante da conversa na consulta, porque faz parte da qualidade de vida e é levado em conta na escolha do tratamento.
O prolapso pode voltar depois do tratamento? Pode. Por isso o acompanhamento depois do tratamento é importante, e a avaliação individual é o que permite conversar sobre o que esperar em cada caso.
Conclusão
O prolapso genital é comum, tem causa conhecida e tem tratamento, da fisioterapia à reconstrução pélvica. Sentir peso ou uma "bola" na vagina não é algo com que a mulher precise se acostumar: o primeiro passo é uma avaliação que mostre o que está acontecendo e quais são as opções para cada caso.
Na página sobre prolapso genital você encontra os sinais, a forma de avaliação e os vídeos em que a Dra. Marina responde às dúvidas mais comuns.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento é individual e depende de avaliação.

Dra. Marina Gressler
Urologista e Cirurgiã Robótica · CRM-RS 31107 · RQE 26399 (Urologia) · RQE 23840 (Cirurgia Geral)
Conheça a Dra. Marina →